24 de abr. de 2009

A Porta Mais Larga do Mundo

"A prudência é a filha mais velha da sabedoria."
[Victor Hugo]

Conta-se que um dia um homem parou na frente do pequeno bar, tirou do bolso um metro, mediu a porta e falou em voz alta: dois metros de altura por oitenta centímetros de largura.

Admirado mediu-a de novo.

Como se duvidasse das medidas que obteve, mediu-a pela terceira vez. E assim tornou a medi-la várias vezes.

Curiosas, as pessoas que por ali passavam começaram a parar.

Primeiro um pequeno grupo, depois um grupo maior, por fim uma multidão.

Voltando-se para os curiosos o homem exclamou, visivelmente impressionado: "parece mentira!" esta porta mede apenas dois metros de altura e oitenta centímetros de largura, no entanto, por ela passou todo o meu dinheiro, meu carro, o pão dos meus filhos; passaram os meus móveis, a minha casa com terreno.

E não foram só os bens materiais. Por ela também passou a minha saúde, passaram as esperanças da minha esposa, passou toda a felicidade do meu lar...

Além disso, passou também a minha dignidade, a minha honra, os meus sonhos, meus planos...

Sim, senhores, todos os meus planos de construir uma família feliz, passaram por esta porta, dia após dia... gole por gole.

Hoje eu não tenho mais nada... Nem família, nem saúde, nem esperança.

Mas quando passo pela frente desta porta, ainda ouço o chamado daquela que é a responsável pela minha desgraça...

Ela ainda me chama insistentemente...

Só mais um trago! Só hoje! Uma dose, apenas!

Ainda escuto suas sugestões em tom de zombaria: "você bebe socialmente, lembra-se?"

Sim, essa era a senha. Essa era a isca. Esse era o engodo.

E mais uma vez eu caía na armadilha dizendo comigo mesmo: "quando eu quiser, eu paro".

Isso é o que muita gente pensa, mas só pensa...

Eu comecei com um cálice, mas hoje a bebida me dominou por completo.

Hoje eu sou um trapo humano... E a bebida, bem, a bebida continua fazendo as suas vítimas.

Por isso é que eu lhes digo, senhores: esta porta é a porta mais larga do mundo! Ela tem enganado muita gente...

Por esta porta, que pode ser chamada de porta do vício, de aparência tão estreita, pode passar tudo o que se tem de mais caro na vida.

Hoje eu sei dos malefícios do álcool, mas muita gente ainda não sabe. Ou, se sabe, finge que não, para não admitir que está sob o jugo da bebida.

E o que é pior, têm esse maldito veneno, destruidor de vidas, dentro do próprio lar, à disposição dos filhos.

Ah, se os senhores soubessem o inferno que é ter a vida destruída pelo vício, certamente passariam longe dele e protegeriam sua família contra suas ameaças.

Visivelmente amargurado, aquele homem se afastou, a passos lentos, deixando a cada uma das pessoas que o ouviram, motivos de profundas reflexões.

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Você sabia que, segundo o Ministério da Saúde, no ano de 2001 foram internados 84.467 brasileiros por transtornos mentais e comportamentais devido ao uso do álcool, demandando um gasto de mais 60 milhões de reais?

Ainda segundo o Ministério da Saúde, o álcool é a droga mais usada pelos jovens no Brasil.

Segundo pesquisa realizada em 14 capitais brasileiras em 2001, pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o consumo começa cedo: em média, aos 13 anos. E o pior é que o álcool é a porta principal de acesso às demais drogas.

E você sabia que a influência da TV e do Cinema nos hábitos de crianças e adolescentes foi recentemente comprovada por pesquisadores da Escola de Medicina de Dartmouth, nos Estados Unidos?

Por todas essa razões, vale a pena orientar nosso filho para que não seja mais um a aumentar essas tristes estatísticas.

Equipe de Redação do Momento Espírita,
com base em história de autoria desconhecida
e em matéria publicada pela Folha de São Paulo em 24/03/2002,
intitulada “Nunca se bebeu tanto na TV".

17 de abr. de 2009

Glória de Deus


"Qualquer um pode contar as sementes em uma maçã, mas só Deus pode contar o número de maçãs em uma semente."
[Robert H. Schuller]

O salmista Davi escreveu, em seu cântico 18: Os céus publicam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.

Contemplando-se a noite estrelada, pode-se ter idéia do que desejou expressar o salmista.

Não há quem não se sinta tocado em sua intimidade, e se deixe extasiar pela beleza de uma noite bordada de estrelas.

Tantas são as maravilhas do Universo que somente nos levam a reconhecer a existência de uma Inteligência Superior à humana.

E é esse mesmo Deus que, como artista, colore os céus no cair da tarde, salpica de cores as flores e estende o tapete verde na pradaria, como uma imensa colcha de retalhos, bordada em motivos variados.

Como esteta, capricha nos detalhes das escarpas que apontam para cima, como se esmera nos contornos das rochas, recortando montanhas, vales e planícies.

Qual um exímio químico transforma terra e água em seiva e açúcar.

No milagre que se chama Vida, toma uma simples semente e faz surgir a árvore generosa, plena de galhos, folhas, flores e saborosos frutos.

Sábio, concedeu instinto aos animais para a perpetuação e conservação da espécie.

Por isso se observa a vespa preparar cuidadosamente o local para colocar seus ovos, pois o instinto lhe diz que ela não viverá para ver a sua prole.

Com sua técnica de dar inveja a qualquer entomologista, ela imobiliza um gafanhoto e ao seu redor põe os ovos.

Morre em seguida. As larvas, ao nascerem, têm o alimento assegurado.

É o instinto que guia o João-de-Barro a construir sua casa com a porta para o lado oposto ao vento do inverno, jamais se enganando. E assim protege seus filhotes do terrível frio, que poderia matá-los.

E enquanto dotou os animais com o instinto, que é uma nota melódica monótona, concedeu ao homem o raciocínio, que é uma sinfonia completa.

Tem razão o salmista ao proclamar que a Lei do Senhor é perfeita, que os Seus preceitos são retos e deleitam o coração.

Um dia transmite esta mensagem ao outro dia, e uma noite comunica-a a outra noite.

Não é uma palavra nem uma linguagem, cuja voz não possa perceber-se. O seu som estende-se por toda a Terra e as suas palavras até às extremidades do mundo, e nada se pode subtrair do seu calor.

* * *

A Sabedoria Divina se descobre em todos os detalhes da Criação.

Para a filtragem conveniente dos raios solares para a Terra, a Providência Divina edificou usinas de ozônio a 40 e 60 quilômetros de altitude.

Assim, em todos os tempos a beleza, junto à ordem, constituem um dos traços marcantes da Criação.



Redação do Momento Espírita, com base em conferência proferida

por Divaldo Pereira Franco, intitulada Deus, em 20.03.1974.

Em 14.04.2009.

10 de abr. de 2009

A mesma medida

"Senhor, minha preocupação não é se Deus está ao nosso lado; minha maior preocupação é estar ao lado de Deus, porque Deus é sempre certo."
[Abraham Lincoln]

Em uma conhecida passagem evangélica, Jesus afirma que cada um será medido com a medida que aplicar aos outros.
Tem-se aí um princípio de justiça, já revelado no comando de amar ao próximo como a si mesmo. Pelo mandamento do amor, surge o dever de tratar o semelhante como se gostaria de ser tratado, se estivesse em seu lugar. A idéia básica é uma igualdade essencial entre todos os homens. Embora diferentes pelas posições que ocupam na vida em sociedade, nenhum possui essência apartada da dos demais.
Evidentemente, há criaturas mais adiantadas, cuja bondade e sabedoria causam admiração. Entretanto, na origem e no fim todos se aproximam. Saídos da mais absoluta simplicidade chegarão à plenitude das virtudes angélicas. Enquanto percorrem a longa jornada, devem se auxiliar mutuamente. A lição cristã cinge-se basicamente à fraternidade.
É possível sofisticar o pensamento e encontrar nuanças preciosas nos ensinamentos do Cristo. Mas é preciso cuidado para não esquecer o básico, nessa busca de detalhes, por valiosos que sejam. O essencial reside em aprender a olhar o próximo como um semelhante, um irmão de caminhada. Se ele se apresenta vicioso e de convívio pouco atrativo, nem por isso deixa de ser uma preciosa criatura de Deus. Justamente perante os equivocados do mundo, convém refletir sobre a igualdade da medida.
À parte os Espíritos puros, que já percorreram todos os degraus da escala da evolução, os demais cometem erros. Mesmo homens bem intencionados por vezes erram. Não se trata de uma tragédia, na medida em que a vida propicia meios de reparar os estragos e seguir em frente.
Uma visão estreita da Divindade pode levar à concepção de que Ela sempre está a postos para punir suas criaturas. Entretanto, não é assim. As Leis Divinas encontram-se escritas na consciência de cada Espírito. Elas visam à educação e à evolução dos seres, não a sua punição. O rebote do desconforto que a violação da lei provoca destina-se a incentivar a retomada do caminho correto.
É possível ignorar os protestos da própria consciência um tempo, mas não indefinidamente. Sempre surge o momento em que ela fala alto e atrai as experiências retificadoras do mal cometido. Ocorre que o mesmo homem que encontra desculpas para seus equívocos, por vezes, é severo crítico do semelhante. Ao assim agir, molda em seu íntimo um juiz implacável. Quando chegar a sua hora de prestar contas dos próprios atos à eterna justiça, as medidas desse juiz severo é que lhe serão aplicadas. Ciente disso, convém treinar um olhar indulgente para as falhas alheias. Não se trata de tentar burlar a incidência da justiça divina, sempre perfeita. Mas de não valorizar em excesso a sombra e a dor e de compreender a falibilidade natural do ser humano.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita. Em 16.04.2009.